Tuesday, January 10, 2012

Welcome to Mauritania!

A viagem para a Mauritania começou bem cedo, com saida de Dakhla pelas 6:30h da manhã... O caminho era longo e com algumas preocupações em arranjar combustível, mas o povo marroquino não se atrapalha e se for preciso gasolina, que não tem muita saida por estas bandas, também se arranja, nem que seja em bidons!




Chegamos à fronteira (saida de Marrocos) e sendo uma caravana com trinta e tal viaturas, ficamos ali qualquer coisa como 2 horas e meia para nos deixarem passar em direcção à Mauritania, mas antes tinhamos de passar pelos arrepiantes 4km da Terra de Ninguém que separam estes dois paises. Já tinha lido sobre este sítio e confesso que fiquei algo arrepiado quando lá passei, mesmo em pleno dia. As caras com que nos crusamos não aparentam ser muito amistosas, nem os carros abandonados, despidos e queimados por que passamos nos deixam mais descançados.





Mas lá chegamos à Mauritania que nos reservou mais 3 horas e tal de espera, por motivos que nenhum de nós entende... Já noite feita lá partimos em direcção Arkeiss, em pleno parque natural do Banc Darguin, mas como chegamos de noite, não deu para ver nada...

Mas no dia seguinte, acordamos neste fantásticos cenário:




Aproveitei o dia para dormir até mais tarde e para dar uma voltita de camião pela praia! Que espectáculo!



A etapa deste dia tinha apenas 92km, mas muita areia entre este acampamento e o seguinte, na pequena vila piscatória de Teichott, onde fomos recebidos como se fossemos família, onde aproveitamos para pôr em práctica o caris solidário do evento.



Adorei visitar este local, também pela sua beleza natural, mas principalmente pela lição de humildade que levamos ao conviver com esta gente que nos recebeu a nós de braços abertos colocando à nossa disposição tudo o que tinham para oferecer, quando as suas posses são apenas a roupa que trazem no corpo e o peixe que apanham no mar... 
Foram doados brinquedos e roupa para as crianças, medicamentos e alguma comida. A situação mais curiosa a que assisti durante a doação foi terem recusado receber uma bolas de plástico, daquelas de encher com a boca. A justificação para as rejeitarem foi evitar ficarem a curto prazo, quando estas se furarem, com lixo plástico muito dífícil de tratar e perigoso para os animais...

O senhor que aparece na penúltima foto a dar os brinquedos às crianças foi o nosso contacto/guia na Mauritania e era também presidente de uma associação de protecção e conservação do Banc Darguin. Falava pelo menos 5 linguas, prometeu aprender também Português num futuro próximo, ensinou-nos e ilustrou-nos os costumes locais e no final ainda nos deu a indicação da pressão dos pneus que deveriamos utilizar no jeep para atravessar a próxima pista de areia...

Recarregar baterias

Hoje (dia 7) foi dia de recarregar as baterias da malta com uma estadia no Dahkla Attitude, nuns fantásticos bungalows com vista para a praia. Pena o vento que se fazia sentir e, no meu caso, algumas dores que começavam a surgir após a maldita queda... Poderia ter sido um fantástico dia de praia.







Para mim o dia foi passado em conversações com a companhia de seguros, já que o acidente foi em Marrocos e eu tinha cobertura para esta zona. Mas como seria de esperar, a companhia de seguros alega que por eu estar a participar neste evento organizado, mesmo sem carís desportivo, voltas cronometradas ou qualquer tipo de qualificação final, que o seguro não cobre, logo não paga o transporte da mota para Portugal como eu pretendia...
Desta forma, a única solução é carregar a mota no camião da organização, transporta-la até Dakar, onde será despachada por barco como estava previsto inicialmente. Pelos vistos, quis o destino que a mota sempre fosse até Dakar, mas ser carregada é que não estava nos planos...


Friday, January 6, 2012

As notícias menos boas...

Hoje era o dia para os duros! 462km do acampamento até Dahkla, 400km dos quais em pistas. Se não aprender agora a andar no deserto, nunca mais aprendo!

Este senhor estava debaixo da minha tenda...




Foi uma manhã fantástica a um ritmo muito elevado, muito perto do limite da mota e do piloto... Demasiado perto...
Depois do almoço, já faltavam menos de 150km para acabar, estava na frente do meu grupo a liderar e a navegar, quando reparo que faltavam alguns e abrandei. O jeep que vinha atrás de mim passou e acabei por segui-lo. Quando dei por ela já estavamos ligeiramente fora do track e surgiram ali umas manobras algo
repentinas ainda a uma velocidade elevada... Numa dessas manobras, o jeep para encontrar o track passou poucos metros à minha frente, pois seguiamos quase lado a lado. Quando ele passa, reduzi um pouco a velocidade e entro no pó deste jeep, ficando temporariamente às "escuras"... tento então virar para a esquerda e seguir a nova direcção do jeep quando vejo à minha frente uma lomba da qual não conseguiria fujir... Tenho noção de ter saltado uns bons metros no ar com a mota já toda de lado...
Rebolei naquele chão durante alguns segundos que pareciam não ter fim... Quando tudo acabou, estou feliz por estar consciente e aparentemente sem nada partido, o que foi muita sorte dado tamanho trambolhão... Cheguem as primeiras pessoas ao local, eu ainda tonto e deitado no chão,... bem... adiante...

Resumindo, a mota, que ainda não vi, tem a jante da frente feita num oito com raios partidos e tudo, a corrente estava fora do sítio, o vidro não estava lá, a aranha estava torta, etc, etc... Para ela acabou aqui esta aventura e segue amanhã para Portugal...

Eu, estou obviamente dorido, mas contente por não ter partido nada, ou pior.... Tenho uma pequena esfoladela na perna direita e estou coxo por ter levado com a mota em cima do joelho direito, mas nada partido e de acordo com os médicos, esta apenas pisado... Nada que não passe com um pouco de gelo... Toda a protecção que levava funcionou. O que está ferido mesmo é o orgulho...

Mas quero pensar positivo! Abusei, caí e tive sorte não me aleijar. A viajem para Dakar continua, mas agora de jeep...

Poderia acabar o post com alguns bons concelhos e um "faz o que eu te digo, e não o que eu faço", mas não o vou fazer... Cada um tire as conclusões por si...

Pistas e mais pistas!


O roadbook diz 323km de mais pistas, com abastecimento obrigatório na última bomba em Tan tan, pois esperam-nos quase 800km sem combustível! O que vale é que a Tenere está com um consumo fantástico e consigo mais de 400km com um depósito. Basta um Jerrican e já está!

Faltou referir no último post, que a KTM já rola a meu lado, e aproveitei para receber do seu piloto umas dicas fantásticas sobre a posição do corpo neste tipo de condução, que fizeram toda a diferença e me evitaram muitas quedas parvas na areia. Aquela teoria do rabo esticado para trás funciona e chegou a ser necessária em grandes extensões de areia, mas apenas para ganhar tracção, pois com o corpo sempre chegado para a frente, o peso na roda da frente e a mota bem presa com os joelhos, tem-se muito mais controlo da mota em qualquer situação e permite velocidades muito mais altas com confiança. O corpinho é que sofre...



Mas estou-me a aguentar bem e a Tenere também, e a confiança a subir...


As boas notícias!

A bomba:
 - O pinga pinga da bomba mantem-se e dá para continuar!

O dia:
 - Estas são as boas notícias! O roadbook diz que são 340km de pistas entre Fort Bou Jerif e o waypoint de chegada, no meio do deserto, junto ao lago seco (Lac Chbabiyne). E que pistas! Muitos estradões com alguma pedra solta, areia qb e a melhor parte, o lago seco! Foi simplesmente fantástico poder espremer a Tenere numa superfície totalmente lisa a perder de vista, onde se atingem velocidades impróprias...





Definitivamente só o dia de hoje valeu os 2500km de alfalto dos últimos dias!

Para terminar o dia, acampamento salvagem no meio do deserto do Sahara Ocidental. Recomenda-se!


Novidades

Aos seguidores, as minhas desculpas por só agora dar novidades, mas os últimos dois dias foram passados no meio do deserto, e por alguma razão lá a internet não funciona muito bem, ;-)

Bem, tenho notícias assim assim, boas e menos boas, mas uma coisa e um post de cada vez!

Sobra o tal problema da bomba de água:
 - No dia da partida em Marrakech, separei-me da caravana para passar pela Yamaha local para ver se resolvia o problema. O diagonostico do mecânico era o mesmo que me tinham dado antes, tem de se trocar a bomba de água, pois o vedante (orring) deu o berro e está a deitar água por um pequeno furo de descarga. Claro que não tinham uma bomba de água ali mesmo, mas talvez em Casablanca. Talvez porque o armazem em Casablanca está fechado para balanço e só abre para a semana... O plano foi então contactar a Yamaha Portugal, que até é patrocinador oficial da prova, para ver se conseguiam enviar uma bomba para Dahkla, enquanto eu seguia viajem com esta controlando sempre a água. Água... portugal também não consegue despachar uma bomba a tempo... Novo plano, seguir como está!

Sobre este dia, como estava separado do caravana, acelerei um pouco mais para os apanhar e fiz mais de metade dos 440km que separam Marrakech de Fort Bo Jerif sozinho, ao meu ritmo, sem pressas e sem contratempos. A meio descobri que tinham tido problemas e estavam mais de 150km para trás... Assim deu para tirar umas fotos interesantes.


A tenda comunitária em Fort Bo Jerif

O despertador de serviço!

Para aqui chegar tive de fazer a minha primeira pista em marrocos sozinho, logo com mais cautela, mas foi muito fixe apesar de ter mesmo muita pedra. Mas a Tenere esteve à altura! Foi tão fixe que me esqueci de parar para fotos, almoço ou mesmo xixizinho...

Monday, January 2, 2012

A coisa está negra...

Dia 1 de Janeiro de 2012 pelas 10:00h da madrugada, depois de uma noite bem passada, já estavamos a rolar em direcção a Tarifa para apanhar o ferry. Não foi fácil, pois além dos 400km que tivemos de fazer parando apenas uma vez..., havia greve na Alfandega e fomos recambiados para Algeciras... Claro que perdemos o barco e tivemos de esperar pelo próximo que chegou a Tanger já noite feita, e ainda tinhamos 300km para fazer até Rabat... Como se não bastasse, tivemos várias complicações com a papelada e passaportes e só saimos dali já passava das 21:00h... Chegamos a Rabat já passava das 3 da manhã... Prefiro não falar mais deste dia...

Dia 2, mais kilometros de autoestrada em direcção a Marrakech... E a meio desta viagem, estava eu a inventar qualquer coisa para me distrair e não adormecer ao volante, quando reparo que a biqueira da bota direita estava humedecida, e a esquerda não... E na autoestrada não há poças... Poucos kms depois parei numa area de serviço para ver o que se passava. Numa primeira análise parecia que a água vinha da junta da bomba de água, e que uma apertadela ou um pouco de silicone resolveriam logo o problema... Mas aparentemente não é esse o problema, é mesmo da bomba de água que esta a pingar por um pequeno furo que tem por baixo, o que quer dizer que esta próxima de entregar a alma ao criador...

Sob intensa vigilancia segui caminho até Marrakech, controlando sempre a luz da temperatura (será que funciona?), o nível da água e a humidade da bota.

Estou em Marrakech e a Yamaha local não tem nem bombas, nem kits de reparação... Disseram-me que talvez haja em Casablanca, 200km no sentido contrário para onde vai seguir a caravana...

Neste momento o plano é encomendar a bendita da bomba de água que está em Casablanca, através da Yamaha Marrakech, pedir para a enviarem para Dakhla, onde vou estar dentro de 3 dias e rezar para que esta aguente até lá, que haja uma bomba em Casablanca, que eles aceitem envia-la, e que a entrega ocorra atempadamente e sem problemas, mas estamos em Africa... tudo pode acontecer...

A coisa está negra... A aventura pode terminar mesmo antes de ter começado a parte que realmente interessa...

A melhor coisa que aconteceu hoje foi mesmo o tajine kefta ao almoço, e esta cabeça de borrego ao jantar!